Autoestima é a forma como a pessoa se percebe e se valoriza: o quanto ela se reconhece como alguém de valor, capaz e digno de respeito, independentemente de acertos, elogios ou aprovação. Baixa autoestima é quando essa avaliação fica negativa e distorcida de forma persistente, a ponto de pesar nas decisões, nos relacionamentos e na maneira de lidar com os próprios erros.
Ela não aparece em exame nem tem um diagnóstico próprio nos manuais de saúde mental. Mas aparece, e muito, no dia a dia: na vaga de emprego para a qual a pessoa não se candidata porque “não sou bom o suficiente”, no elogio que ela desvia, no relacionamento em que aceita menos do que merece.
Quais são os sinais de baixa autoestima?
- Autocrítica dura e constante, num tom que você jamais usaria com um amigo
- Dificuldade de aceitar elogios (“imagina, não foi nada”)
- Comparação frequente com os outros, especialmente nas redes sociais
- Medo exagerado de errar, de ser julgado ou de decepcionar
- Dificuldade de dizer não e de se posicionar
- Sensação de ser uma fraude mesmo quando as coisas dão certo
- Necessidade de aprovação para tomar decisões
- Procrastinação por medo de que o resultado não fique bom o bastante
- Permanência em relações ou situações que machucam, por achar que não merece algo melhor
Autoestima não é se achar o máximo
Existe uma confusão comum: a ideia de que ter autoestima é se considerar melhor que os outros. Não é. Autoestima saudável é conseguir se olhar com realismo, reconhecendo qualidades e limitações, sem precisar se esconder nem se exibir.
Inclusive, muita arrogância é baixa autoestima de terno e gravata. Quem precisa provar o tempo todo que é superior, em geral, não está tão seguro assim.
Autoestima e autoconfiança são a mesma coisa?
Não. Autoconfiança é a crença na própria capacidade de fazer algo específico: falar em público, dirigir, resolver um problema no trabalho. Autoestima é mais ampla e diz respeito ao valor que você atribui a si mesmo como pessoa.
Por isso, é possível ser muito competente e confiante na profissão e, ao mesmo tempo, sentir que não tem valor quando um relacionamento termina ou quando falha em alguma coisa.
De onde vem a baixa autoestima?
A forma como nos vemos é construída ao longo da vida. Alguns fatores costumam pesar:
- Críticas frequentes ou afeto condicionado ao desempenho na infância
- Comparações constantes com irmãos, colegas ou primos
- Experiências de bullying, rejeição ou exclusão
- Relacionamentos em que a pessoa foi desvalorizada ou humilhada
- Ambientes muito competitivos, em que o valor parece depender só de resultados
- A exposição contínua às vidas editadas das redes sociais
Entender de onde vem a voz crítica é um passo importante para que ela deixe de mandar em tudo.
Redes sociais e comparação
As redes sociais mostram o melhor ângulo, o melhor dia e a melhor luz da vida dos outros. O problema é que a gente compara esse recorte com a nossa vida inteira, com os bastidores, as olheiras e as contas a pagar. A disputa já começa perdida.
Não é preciso abandonar as redes, mas vale observar como você se sente depois de usá-las. Se a sensação frequente é a de estar ficando para trás, talvez seja hora de rever quem você segue e quanto tempo passa ali.
O que ajuda a fortalecer a autoestima no dia a dia
- Repare no seu diálogo interno. Pergunte a si mesmo: eu falaria assim com alguém de quem gosto?
- Registre o que deu certo. Quem tem baixa autoestima costuma ter memória excelente para falhas e péssima para conquistas.
- Aceite elogios. Um simples “obrigado” já é um treino.
- Pratique pequenos limites. Dizer não a algo pequeno é um bom começo para dizer não ao que importa.
- Cuide do que você consome. Perfis, conversas e ambientes que só reforçam a comparação merecem atenção.
- Cuide do corpo. Sono, alimentação e movimento não resolvem tudo, mas mudam o humor com que você se enxerga.
Uma observação honesta: repetir frases positivas no espelho, sozinho, costuma funcionar tão bem quanto tentar convencer um curitibano de que vai fazer sol o dia inteiro. Sem trabalhar a origem da autocrítica, a frase bonita não se sustenta.
Como a terapia ajuda na baixa autoestima
Na psicoterapia, o trabalho não é ensinar a pessoa a se achar perfeita. É ajudá-la a construir uma valorização realista e verdadeira de si mesma. Isso costuma envolver:
- Compreender de onde vem a voz crítica e a quem ela pertencia originalmente
- Identificar padrões que se repetem nas relações e no trabalho
- Diminuir a dependência da aprovação dos outros
- Ganhar segurança para tomar decisões e se posicionar
- Reconhecer conquistas sem precisar minimizá-las
Na página sobre problemas com autoestima, explico como funciona esse acompanhamento no consultório.
Autoestima em diferentes fases da vida
Na adolescência, a autoestima costuma ser atravessada pela aparência, pelo pertencimento ao grupo e pela comparação nas redes. Na vida adulta, entram em cena a carreira, os relacionamentos e a cobrança de “já ter chegado lá”. Na terceira idade, a aposentadoria e a mudança de papéis na família podem abalar a sensação de utilidade e de valor. Em todas as fases, ela merece cuidado.
Perguntas frequentes
Baixa autoestima é doença?
Não é um diagnóstico, mas pode acompanhar quadros como depressão e ansiedade e aumentar o sofrimento em diversas situações. Por isso, merece atenção.
Dá para melhorar a autoestima sozinho?
Algumas mudanças de hábito ajudam. Mas, quando a autocrítica é antiga e intensa, o acompanhamento profissional costuma tornar o caminho mais curto e mais consistente.
Quanto tempo leva para melhorar a autoestima?
Depende da história de cada pessoa. É um processo gradual, e muitas pessoas percebem mudanças na forma de se tratar já nos primeiros meses de terapia.
Baixa autoestima atrapalha relacionamentos?
Com frequência. Ela pode levar a ciúme, medo de abandono, dificuldade de se posicionar e permanência em relações que fazem mal.
Posso fazer terapia para autoestima online?
Sim. Atendo presencialmente em Curitiba e online, inclusive pessoas que moram em outras cidades ou fora do país.
Um espaço para conversar
Se você se reconheceu em algum trecho deste texto e cansou de ser a pessoa mais dura com você mesmo, talvez seja hora de mudar essa conversa. Se quiser ter a oportunidade de conversar sobre isso, estou por aqui.
Importante: este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento profissional. Se você estiver passando por um momento de crise, ligue para o CVV no 188 (gratuito e disponível 24 horas) ou procure a emergência mais próxima.
José Luís F. Bueno Junior é psicólogo clínico (CRP PR 08/10994) em Curitiba, com mais de 20 anos de experiência no atendimento presencial e online de adolescentes, adultos e idosos.

