Depressão é um transtorno de humor marcado por tristeza persistente ou perda de interesse e prazer pelas coisas, presente na maior parte do dia, quase todos os dias, por pelo menos duas semanas, com impacto real na rotina, no trabalho e nas relações. Não é fraqueza, preguiça ou falta de força de vontade. É uma condição de saúde, tem tratamento e, na maioria dos casos, responde bem a ele.
Ela também é mais comum do que parece. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, do IBGE, 10,2% dos brasileiros adultos, cerca de 16,3 milhões de pessoas, relataram já ter recebido diagnóstico de depressão por um profissional de saúde mental.
Em mais de 20 anos de consultório, uma das frases que mais escuto de quem chega é: “achei que ia passar sozinho”. Este texto é para ajudar a entender quando não vai.
Tristeza ou depressão: qual é a diferença?
A tristeza é uma emoção humana e saudável. Ela costuma ter um motivo identificável, como uma perda, uma frustração ou uma despedida. Oscila ao longo dos dias e vai perdendo intensidade com o tempo. Mesmo triste, a pessoa ainda consegue rir de uma piada, aproveitar um almoço com amigos, se envolver com alguma coisa.
Na depressão, o quadro é outro. O desânimo se instala e não sai do lugar. O que antes dava prazer perde a graça. A rotina passa a exigir um esforço desproporcional, e muitas vezes não há um motivo claro para tudo isso, o que costuma gerar ainda mais culpa (“eu nem tenho do que reclamar”).
Uma forma simples de pensar: a tristeza acompanha a vida; a depressão interrompe.
Quais são os sintomas de depressão?
Os sintomas variam de pessoa para pessoa, mas costumam aparecer em três frentes.
No humor e no pensamento:
- Tristeza, vazio ou desesperança na maior parte do tempo
- Perda de interesse ou de prazer em atividades antes prazerosas
- Culpa excessiva ou sensação de inutilidade
- Dificuldade de concentração, memória e tomada de decisões
- Pensamentos recorrentes sobre morte
No corpo:
- Cansaço constante, mesmo sem esforço
- Alterações de sono: insônia ou sono em excesso
- Alterações de apetite e de peso
- Lentidão ou, ao contrário, agitação
- Dores sem causa clínica aparente
No comportamento:
- Isolamento social
- Abandono de hobbies e de cuidados pessoais
- Queda no desempenho no trabalho ou nos estudos
- Irritabilidade e pavio curto
Não é preciso ter todos os sintomas para que exista um quadro de depressão. A avaliação é sempre feita por um profissional de saúde.
Como a depressão aparece em cada fase da vida
Em adolescentes
Na adolescência, a depressão muitas vezes não aparece como tristeza, e sim como irritabilidade, explosões, isolamento no quarto, queda brusca nas notas, uso excessivo de telas e afastamento dos amigos. É comum ser confundida com “fase” ou “rebeldia”.
Em adultos
Nos adultos, ela frequentemente se esconde atrás da funcionalidade. A pessoa continua trabalhando, cumprindo compromissos, cuidando da casa, mas por dentro está no automático, sem energia e sem prazer. Em homens, é especialmente comum que o quadro apareça como irritação, excesso de trabalho ou aumento do consumo de álcool.
Em idosos
Na terceira idade, os sinais costumam ser atribuídos ao envelhecimento: desânimo, queixas físicas, esquecimento, perda de apetite, isolamento. Depressão não é parte natural de envelhecer e merece o mesmo cuidado em qualquer idade.
O que pode levar à depressão?
Não existe uma causa única. Na maior parte dos casos, a depressão resulta da combinação de vários fatores:
- Predisposição genética e histórico familiar
- Experiências difíceis, recentes ou antigas: perdas, separações, traumas
- Estresse prolongado no trabalho ou na família
- Isolamento e falta de rede de apoio
- Doenças clínicas, alterações hormonais e uso de algumas substâncias
Entender quais desses fatores pesam na sua história é parte importante do tratamento.
Depressão tem tratamento?
Tem, e a maioria das pessoas melhora de forma significativa com o acompanhamento adequado.
A psicoterapia é um dos pilares do tratamento. No processo terapêutico, o trabalho envolve compreender o que sustenta o quadro, reconhecer padrões de pensamento que alimentam o desânimo, retomar aos poucos a rotina e as relações e construir recursos para lidar com as dificuldades que vierem.
Em casos moderados e graves, o tratamento costuma combinar psicoterapia e medicação. Quem avalia e prescreve medicamentos é o médico psiquiatra, e o trabalho em conjunto entre os dois profissionais tende a trazer os melhores resultados.
Como ajudar alguém com depressão
Se quem preocupa você é outra pessoa, algumas atitudes fazem diferença:
- Escute sem tentar resolver nem minimizar (“isso passa”, “tem gente pior”)
- Evite cobranças como “é só ter força de vontade”
- Ofereça ajuda prática: acompanhar a uma consulta, ajudar a marcar o horário
- Mantenha contato, mesmo quando a pessoa se afasta
- Leve a sério qualquer menção a morte ou suicídio
Quando procurar ajuda?
Vale procurar um psicólogo quando o desânimo dura mais de duas semanas, quando atrapalha o trabalho, os estudos ou as relações, ou quando você percebe que está apenas “atravessando os dias”.
Se houver pensamentos de morte ou de tirar a própria vida, a ajuda deve ser imediata: ligue para o CVV no 188, para o SAMU no 192 ou procure a emergência mais próxima.
Perguntas frequentes
Depressão tem cura?
Com tratamento adequado, a maioria das pessoas apresenta melhora significativa e muitas alcançam a remissão completa dos sintomas. O acompanhamento também ajuda a reduzir o risco de novos episódios.
Quanto tempo dura o tratamento?
Varia conforme a intensidade do quadro e a história de cada pessoa. Em geral, falamos de meses, não de semanas, e a melhora costuma ser gradual.
Preciso tomar remédio?
Nem sempre. Quadros leves podem responder bem apenas à psicoterapia. Quando há indicação de medicação, a avaliação é feita por um médico psiquiatra.
Psicólogo ou psiquiatra: quem procurar primeiro?
Qualquer um dos dois é uma boa porta de entrada. Quando necessário, um profissional encaminha para o outro.
Existe psicólogo para depressão em Curitiba com atendimento online?
Sim. Atendo presencialmente no Bom Retiro, em Curitiba, e também online, para quem prefere ou precisa dessa flexibilidade.
Um espaço para conversar
Se você se reconheceu em algum trecho deste texto, talvez seja hora de não carregar isso sozinho. Se quiser ter a oportunidade de conversar sobre o que vem sentindo, com calma e sem julgamento, estou por aqui.
Importante: este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento profissional. Se você estiver passando por um momento de crise, ligue para o CVV no 188 ou procure a emergência mais próxima.
José Luís F. Bueno Junior é psicólogo clínico (CRP PR 08/10994) em Curitiba, com mais de 20 anos de experiência no atendimento presencial e online de adolescentes, adultos e idosos. O consultório fica no Bom Retiro.

